Mais de mil homicídios em 2 anos na Região Metropolitana de São Luís, diz o Anuário

Ismael Araújo/ O ESTADO

Os dados são do 12º Anuário de Segurança Pública divulgados em São Paulo nesta quinta-feira, com relação ao biênio 2016/2017; a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes fixou em 43,2, acima da nacional que foi 34,0

No biênio 2016/2017, 1.032 pessoas foram assassinadas a tiros ou por arma branca na Região Metropolitana de São Luís. Os dados são do 12º Anuário de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira, 9, durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo. Somente no ano passado foram 472 casos de Mortes Violentas Intencionais (MVI), que corresponde a homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguido de morte, incluindo mortes de policiais civis e militares de plantão ou fora de serviço. Nesse ano, a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes ficou 43,2, acima da taxa nacional, que ficou em 34,0.

Em novembro do ano passado, foi o mês, segundo a polícia, com maior número de mortes ocasionadas por guerras entre integrantes de facções criminosas na Ilha. Nesse período, houve o registro de 77 mortes violentas, considerado como um dos mais violentos do ano. Entre esses casos, estão 13 assassinatos de menores de idade, a maioria vítimas de balas perdidas, resultado de confronto entre “faccionados”.

Os dois últimos homicídios dolosos desse mês foi registrado no dia 30, e as vítimas, segundo a polícia, eram integrantes de facções, identificadas como Anderson Pinheiro Jansen, de 26 anos, e Elielton dos Santos Oliveira, de 22 anos. Os corpos, com marcas de tiros e com as mãos amarradas com fio de nylon, foram localizados em uma área de matagal, na Vila Conceição, área do Calhau.

Segundo os peritos do Instituto de Criminalística (Icrim), um dos corpos mais de 10 marcas de tiros, e no outro, um total de oito perfurações. Esse caso ainda está sob investigação da Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP), que até agora não conseguiu identificar os criminosos.

Números altos

Os casos de MVI continuaram altos este ano. Um levantamento feito por O Estado, com base no site da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e informações do Instituto Médico Legal (IML) constatou que na Região Metropolitana de São Luís no primeiro semestre deste ano, uma pessoa foi assassinada a cada 20 horas. Nesse período, ocorreram 218 óbitos causado por arma de fogo ou golpes de arma branca.

Somente nos dias 29 e 30 de junho foram registradas sete mortes violentas na Ilha. Até o dia 27 desse mês, desconsiderando as ocorrências do feriado de São Pedro, foram registrados 36 mortes violentas. Destes, 32 foram homicídios dolosos. Houve, também, um caso de latrocínio, o roubo seguido de morte. Outras três pessoas foram vítimas de confrontos com a polícia, além de constar, ainda, uma morte a ser esclarecida. De acordo com a polícia, trata-se de uma criança de apenas nove anos.

O mês de janeiro, até o momento, é o mais violento, com 44 ocorrências, sendo 39 homicídios dolosos, dois latrocínios, uma morte em unidade prisional do estado, duas em confronto com a polícia, e dois casos de mortes não esclarecidas.

Em fevereiro, ocorreram 30 mortes violentas; março com 25; abril com 33 e maio, 43. Em julho foram apenas 15 casos, segundo dados da SSP.

Arma de fogo

Cinco pessoas já foram assassinadas este mês por arma de fogo na Região Metropolitana de São Luís, e apenas um caso ocasionado por arma branca. Ainda de acordo com as informações da polícia, Mayckel Alexandre Santos, de 44 anos, foi morto a golpes de faca por um homem não identificado na tarde do último dia 7, no bairro Areinha.

A polícia garante que a maioria dos homicídios por arma de fogo têm participação de integrantes de facções criminosas, como foi o caso de José Adailton de Sousa Pindoba, cujo corpo foi achado na quarta-feira, 8, em estado de putrefação em uma área de matagal, na comunidade Mãe Chica, da Vila Maranhão.

Segundo a polícia, José Pindoba teria ameaçado de morte, por meio das redes sociais, integrantes de uma facção rival. Ele foi sequestrado por um grupo que estava em um Corsa Classic, no bairro da Vila Nova, e uma semana depois foi encontrado morto. O caso está sendo investigado Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP), que até na tarde desta sexta-feira não havia registro de identificação dos criminosos.

Número

1.032

é o número de pessoas foram assassinadas a tiros ou por arma branca no biênio 2016 a 2017 na Região Metropolitana de São Luís, segundo os dados do 12º Anuário de Segurança Pública

Entenda

Mortes violentas este ano na Ilha

Janeiro: 44 casos

Fevereiro: 30 casos

Abril: 25 casos

Maio: 43 casos

Junho: 43 casos

Julho: 15 casos

Agosto: 6 casos (de 1º ao dia 9)

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Familiares reclamam da ausência de membros do corpo de detento esquartejado

Mãe e viúva reclamam da falta de informações sobre a morte e esquartejamento de Johnnattan Kennedy Silva Oliveira, 21 anos, assassinado no dia 5, domingo deste, na Penitenciária de Pinheiro.

Ele estava sob a tutela do Estado desde o dia 18 de junho. O detento teria sido morto por três colegas de cela e em seguida teve o corpo esquartejado, mesmo com toda a propaganda do governo de que barbáries não acontecem mais no sistema presidiário no Maranhão.

Urgente! Rebelião em presídio deixa detento morto e esquartejado no Maranhão

A viúva e a mãe da vítima informaram que o corpo foi entregue incompleto, faltando a cabeça e outros membros. Na verdade, em muita parte já estava desossado.

As duas reclamaram da falta de assistência do estado e da ausência de informações.

Alguns membros do corpo de detento esquartejado estavam numa sacola; outros não foram achados

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Desembargadora diz que Marielle estava engajada com bandidos e é cadáver comum

A colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo reproduziu ontem trechos do que escreveu a desembargadora Marilia Castro Neves, do Rio de Janeiro, sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (foto abaixo) do Rio de Janeiro . A magistrada diz que a política “estava engajada com bandidos” e ainda considerou tentativa da esquerda de “agregar valor a um cadáver comum quanto qualquer outro”.

Na reprodução de um comentário da desembargadora em texto publicado nas redes sociais pelo advogado Paulo Nader, a colunista escolheu trechos mais picantes, como diz que Marielle estava engajada com bandidos e que teria sido eleita pelo Comando Vermelho, “com quem transacionava”.

A autoridade judiciária diz que “a minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela. Outro dia uma médica morreu na Linha Amarela e não houve essa comoção. E ela também lutava, trabalhava, salvava vidas”, afirma.

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Apoio à pena de morte bate recorde entre brasileiros, aponta o Datafolha

ANGELA BOLDRINI
DE BRASÍLIA

Apoio à pena de morte bate recorde entre brasileiros, aponta o Datafolha

Esse é o recorde numérico desde que a questão passou a ser aplicada pelo Datafolha, em 1991. Mas empata na margem de erro –de dois pontos percentuais, para mais ou para menos– com os percentuais de 1993 e 2007, quando 55% da população se disseram favoráveis à punição.

A pena de morte não é aplicada no país, embora esteja prevista no inciso 47 do artigo 5º da Constituição em período de guerra declarada. A última em que o país entrou foi a Segunda Guerra Mundial.

Em 2015, pela primeira vez em mais de 150 anos, brasileiros foram mortos por terem sido condenados à pena capital. As execuções de Marco Archer, em janeiro, e depois a de Rodrigo Gularte, ambas na Indonésia, foram as primeiras de brasileiros no exterior.

Já no Brasil, a última execução de um homem livre condenado à morte pela Justiça Civil aconteceu em 1861, na província de Santa Luzia, que deu origem à cidade de Luziânia, no entorno do Distrito Federal.

De acordo com o Datafolha, que entrevistou 2.765 brasileiros em 192 municípios nos dias 29 e 30 de novembro passado, 39% da população são contrários à punição. Além disso, 1% se declarou indiferente, e outros 3% não souberam responder.

De acordo com a pesquisa, o apoio à pena de morte é maior entre os brasileiros mais pobres. Entre aqueles com renda mensal de até cinco salários mínimos (ou R$ 4.770), o apoio é de 58%. Ele recua para 51% na faixa dos cinco a dez salários (R$ 9.540) e cai ainda mais entre a parcela mais rica, indo para 42%.

Mulheres tendem a apoiar menos a punição capital, com 54% de apoio, ante 60% dos homens. Já em relação à idade, a faixa etária que mais apoia a execução de condenados é a de 25 a 34 anos, em que 61% se disseram favoráveis à proposta.

Os idosos, acima de 60 anos, são os menos propensos a aceitar a adoção da punição, com 52% de apoio. Os ateus são o grupo que menos apoia a pena de morte. Apenas 46% deles se declararam favoráveis.

Já entre os adeptos das principais religiões brasileiras, são os evangélicos aqueles mais reticentes com relação ao tema: 50% são favoráveis, contra 45% contrários (4% não souberam responder e 1% se disse indiferente). Já os católicos são o que mais defendem a punição: 63% são favoráveis, ante apenas 34% contrários.

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