MP denuncia Odebrecht por trabalho escravo e tráfico internacional de pessoas

Da esquerda à direita, os operários Rafael Rocha Gomes, José Edval da Silva e Evaldo Barbosa Araújo (BBC Brasil), entrevistados na reportagem da BBC em outubro, disseram ter sido submetidos a maus tratos na construção da usina Biocom (Foto: BBC)Da esquerda à direita, os operários Rafael Rocha Gomes, José Edval da Silva e Evaldo Barbosa Araújo (BBC Brasil), entrevistados na reportagem da BBC em outubro, disseram ter sido submetidos a maus tratos na construção da usina Biocom (Foto: BBC)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) denunciou o grupo empresarial Odebrecht por, segundo o órgão, manter 500 trabalhadores brasileiros em condições análogas à escravidão na construção de uma usina em Angola.
De acordo com a ação, iniciada após uma reportagem da BBC Brasil revelar denúncias de maus tratos na obra, a construtora teria praticado ainda tráfico de pessoas no transporte de operários até a usina Biocom, na província de Malanje.

A denúncia, entregue na sexta-feira à Justiça do Trabalho de Araraquara (SP) pelo procurador Rafael de Araújo Gomes, pede que a Odebrecht pague uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos aos trabalhadores. O procurador notificou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para que dirigentes da empresa e de suas subcontratadas respondam criminalmente.

A Odebrecht disse à BBC Brasil que só pronunciaria sobre o caso após ser notificada judicialmente. Normalmente, a notificação judicial ocorre alguns dias úteis após o Ministério Público protocolar a ação. Mas, com as interrupções de serviços públicos ocorridas por conta dos jogos da Copa do Mundo, esse prazo pode vir a ser ampliado.

Três empresas do grupo Odebrecht são rés na ação, que tem 178 páginas e envolveu extensa investigação: a Construtora Norberto Odebrecht (CNO), a Olex Importação e Exportação e a Odebrecht Agroindustrial (antiga ETH Bioenergia).

Passaportes retidos

Segundo ação do MPT, trabalhadores foram submetidos a 'condições degradantes de trabalho'. Na foto, área externa do refeitório (Foto: BBC)Segundo ação do MPT, trabalhadores foram
submetidos a ‘condições degradantes de trabalho’.
Na foto, área externa do refeitório (Foto: BBC)

Em dezembro de 2013, a BBC Brasil publicou uma reportagem em que operários diziam ter sido submetidos a maus tratos na construção da usina Biocom, entre 2011 e 2012. Dezenas de fotos e vídeos cedidos à reportagem mostravam o que seriam péssimas condições de higiene no alojamento e refeitório usados pelos trabalhadores.

Os trabalhadores afirmaram ainda que funcionários que trabalhavam na segurança da empresa impediam que eles deixassem o alojamento e que tinham seus passaportes retidos por superiores após o desembarque em Angola. De acordo com os operários, muitos adoeciam – alguns gravemente – em consequência das más condições, e pediam para voltar ao Brasil. Alguns dizem ter esperado semanas até conseguir embarcar.

Segundo a ação do Ministério Público do Trabalho, braço do Ministério Público da União, ‘os trabalhadores, centenas deles, foram submetidos a condições degradantes de trabalho, incompatíveis com a dignidade humana, e tiveram sua liberdade cerceada, sendo podados em seu direito de ir e vir’.

Os funcionários, diz a denúncia, “foram tratados como escravos modernos, com o agravante de tal violência ter sido cometida enquanto se encontravam isolados em país estrangeiro distante, sem qualquer capacidade de resistência”.

Após voltar ao Brasil, dezenas de operários entraram na Justiça contra a Odebrecht e suas subcontratadas na obra. A Justiça tem reconhecido que eles foram submetidos a condições degradantes e ordenado que sejam indenizados.

O MPT diz que, embora os trabalhadores não fossem empregados da Odebrecht, mas de empresas subcontratadas pela construtora – entre as quais a Planusi, a W Líder e a Pirâmide –, a responsabilidade pelas condições na obra era inteiramente da Odebrecht, conforme definido nos contratos entre as companhias.

Tráfico de pessoas

A denúncia lista uma série de ilegalidades que, segundo o MPT, teriam sido cometidas pela Odebrecht no envio dos trabalhadores a Angola. De acordo com o órgão, as empresas subordinadas à companhia recorreram a agenciadores ilegais (‘gatos’) para recrutar operários em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste. A prática, diz a denúncia, constitui crime de aliciamento.

Após o recrutamento, segundo a denúncia, ocorria outra irregularidade: em vez de solicitar à embaixada de Angola vistos de trabalho aos operários, a Odebrecht pedia vistos ordinários, que não dão o direito de trabalhar.
Para obter os vistos, segundo o MPT, a Odebrecht “desavergonhadamente mentiu à embaixada de Angola”, dizendo que os operários viajariam ao país para “tratar de negócios” e permaneceriam ali menos de 30 dias (limite de estadia do visto ordinário). No entanto, diz a Procuradoria, as passagens aéreas compradas pela Odebrecht previam a volta dos trabalhadores em prazos bem superiores a 30 dias.

Segundo o MPT, a empresa recorreu ao esquema para “contar com trabalhadores precários e inteiramente submetidos a seu jugo, incapazes de reagir ou de reclamar das condições suportadas, impossibilitados de procurar outro emprego, e que sequer pudessem sair do canteiro de obras”.

A prática, segundo o MPT, sujeitou os trabalhadores a graves riscos em Angola, inclusive o de prisão, e violou tratados internacionais contra o tráfico humano.

Ratificado pelo Brasil em 2004, o Protocolo de Palermo engloba, entre as definições para a atividade de tráfico, o recrutamento e transporte de pessoas mediante fraude ou engano para fins de exploração em “práticas similares à escravatura”.

Dinheiro público

Segundo a investigação do MPT, contratos celebrados entre a Odebrecht e suas subordinadas na obra mencionam que haveria empréstimos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) à construção. O BNDES, porém, disse à BBC Brasil que jamais financiou a obra.

Em junho de 2012, o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior decretou sigilo sobre todas as operações de crédito do BNDES a Angola e Cuba.

Entre 2006 e 2012, quando os dados ainda eram públicos, o BNDES destinou US$ 3,2 bilhões (R$ 7,2 bilhões) a obras de empresas brasileiras em Angola. A Odebrecht, maior construtora brasileira e maior empregadora privada de Angola, onde opera desde 1984, abocanhou a metade desses financiamentos.

‘Círculo íntimo’

Primeira indústria de açúcar, eletricidade e etanol de Angola, a Biocom é uma sociedade entre a Odebrecht, a estatal angolana Sonangol e a empresa Cochan. Segundo o jornal português Público, o dono da Cochan é o general angolano Leopoldino Fragoso do Nascimento, um dos homens mais próximos do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

A usina, que custou cerca de R$ 1 bilhão, deve ser inaugurada até o fim deste ano.

Embora a Biocom tenha sócios angolanos, o MPT diz que, desde 2012, a Odebrecht tornou-se sócia majoritária da usina e “passou a administrá-la como dona”. Segundo o órgão, ao se associar à Cochan, a Odebrecht buscou contemplar o “círculo íntimo” do presidente angolano no empreendimento e mascarar que a usina, anunciada à população local como angolana, é na verdade brasileira.

Como punição pelos atos, a Procuradoria pede que a Odebrecht seja multada caso mantenha práticas ilícitas, indenize os trabalhadores afetados em R$ 500 milhões e deixe de receber empréstimos de bancos públicos. A ação pede ainda que a companhia pague multa no valor de 0,1% a 20% do seu faturamento anual.

Segundo o MPT, o caso requer “uma punição absolutamente exemplar”, para que a companhia não se sinta encorajada “a repetir as mesmas condutas no futuro”.

G1

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Morre o empresário Feques

Morreu ontem o empresário maranhense Feques, ex-dono de chalés que levava seu nome, na praia da Guia, Anjo da Guarda.

Ele era bastante conhecido em São Luís por causa do seu estabelecimento na beira da praia. Feques era irmão da esposa do jornalista Fernando Leite, ex-apresentador de programas noticiosos da TV e Rádio Difusora.

A causa da morte foi um ataque cardíaco fulminante.

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É o fraco! Leonardo Dicaprio faz festa no Brasil com 50 mulheres

O ator de Hollywood vive momentos inesquecíveis durante a Copa do Brasil. Leonardo Dicaprio esteve ontem em Fortaleza assistindo ao jogo da nossa seleção contra o México.

Antes porém, na sexta-feira, dia 13 passado, fez uma baita festa na casa noturna Pacha, que ficou fechada só pra ele e 50 mulheres vips convidadas a dedo pelo galã.

O rala e rola foi até 4 da madrugada, quando Dicaprio se retirou para o iate que permanece ancorado no Rio de Janeiro e de lá partiu pra Búzios, acompanhado de mais 20 beldades.

O iate de Luxo (veja foto abaixo) foi emprestado pelo bilionário sheik Mansour Zayed Sultan Al Nahyan, que bancou a festa na boite, com espumantes franceses.

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‘Quico’ se preocupa com arbitragem de Brasil x México: ‘Detesto injustiça’

Carlos Villagrán se apresentou como Quico no Brasil em 2013 (Foto: Vanessa Carvalho / Ag. Estado)Carlos Villagrán se apresentou como Quico no Brasil
em 2013 (Foto: Vanessa Carvalho / Ag. Estado)

O ator mexicano Carlos Villagrán, que interpretou o personagem Quico na série “Chaves”, vai ver o jogo entre Brasil e México nesta terça-feira (17) com o coração partido e preocupado com a arbitragem. Fã do Brasil, mas leal à sua terra natal, ele diz que vai torcer “0,0001%” a mais para o México. Seu medo são os juízes: “Quico” não foi com a cara dos árbitros de Brasil x Croácia e de México x Camarões.

“Os árbitros estão falhando muito. Detesto injustiças. É uma festa grande de futebol. A honestidade e a justiça devem prevalecer”, diz o ator de 70 anos, em entrevista por telefone ao G1, direto de Guadalajara, no México, de onde ele verá o jogo. “O árbitro apitou muito mal, anulou dois gols legítimos nossos”, critica Villagrán, sobre a estreia do México no grupo A, o mesmo do Brasil. O ator é um dos embaixadores oficiais de Porto Alegre na Copa.

Melhor ver o Pelé

Villagrán viu Pelé jogar de pertinho na Copa de 1970. Um ano antes de estrear como Quico, ele era fotojornalista e registrou o tricampeonato brasileiro.

“Foi muito bonito. O Brasil era muito poderoso, a melhor seleção de todos os tempos. Só craque. Como fotógrafo, chegava muito perto de todos os jogadores do Brasil. Os mexicanos estavam loucos, aqui [o México] era como se fosse o Brasil, todos torciam por vocês”, lembra o ex-fotógrafo do jornal “El Heraldo”.

Naquele tempo, Villagrán se virava como fotógrafo, mas os sonhos eram diferentes. “Sempre quis duas coisas. A primeira era ser jogador de futebol e a segunda, ser comediante. Na época, era mais fácil entrar na TV como comediante que no futebol, então fui.”

“Quico” e “Chaves” disputavam o título de maiores fãs do futebol nos bastidores. “Os mais fanáticos eram o Roberto Bolaños [criador e intérprete de Chaves] e eu”, conta. Quando era época de Copa, parávamos sempre de gravar em dia de jogo. Só tinha trabalho depois da partida”, lembra.

Brasil e México x ‘gentalha’

Carlos Villagrán (centro) visita Porto Alegre em abril de 2013 (Foto: Ricardo Duarte/Agência RBS)Carlos Villagrán (centro) visita Porto Alegre em abril
de 2013 (Foto: Ricardo Duarte/Agência RBS)

Villagrán ficará feliz tanto com vitórias do Brasil quanto do México. “São países como irmãos. Não gostaria que jogassem juntos, pois gosto muito dos dois. Vou torcer um pouquinho mais para o México. Mas depois quero que o Brasil ganhe. Vai ser uma partida disputada”, prevê.

“No primeiro jogo, o Brasil não mostrou todo o seu poder. Vocês têm um ‘jogo bonito’. Essa expressão se conhece em todo o mundo. O Brasil tem que fazer alusão a esse jogo bonito que só ele tem”, espera o mexicano.

“Quero que o campeão seja outra vez o Brasil, para que tenha seis Copas. O México, claro que também quero [que ganhe], mas não creio que tenha muitos bons jogadores para que chegue ao topo do mundo”, admite.

‘Da parte de quem?’

Villagrán tentou telefonar várias vezes para Bolaños nos últimos dias, mas não conseguiu. Os dois brigam por direitos relativos ao personagem Quico desde a saída do ator da série, no final dos anos 1970.

“Ele trocou de número de telefone para não ser incomodado. Tentei com gente conhecida, mas não consegui mais. Quero falar muitas coisas, recordar os bons tempos de Chaves e Chapolin. Saber como [ele] está de saúde. Só isso. Pelos tantos anos que ficamos juntos”, diz.

Em fevereiro, quando Bolaños completou 85 anos, um parente confirmou à agência de notícias espanhola EFE que a saúde dele é “frágil” e que ele permanece quase o tempo todo na cama, com acompanhamento 24 horas por dia. “Mas é um homem forte, que não perde o senso de humor”, afirmou na época o familiar, que preferiu não se identificar.

Do G1

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Brasil pode jogar sob chuva e calor de 30º em Fortaleza

Quase um ano depois, a seleção brasileira volta a Fortaleza para repetir o duelo com a seleção mexicana na Arena Castelão. A segunda partida do Brasil na Copa do Mundo será nesta terça-feira (17), às 16 horas. O primeiro encontro das seleções, no dia 19 de junho de 2013, na Copa das Confederações, teve vitória do Brasil por 2 x 0 e, até hoje, é lembrado como um dia histórico pelos jogadores e o técnico Felipão.

Fortaleza terá uma terça-feira de sol com muitas nuvens durante a manhã e tarde, horário do jogo, com possibilidade de períodos de nublado, com chuva qualquer hora, de acordo com previsão do Climatempo. A temperatura máxima prevista é de 30°C e, a mínima, de 22°C (veja previsão completa)

Feriado

Pelo jogo ser no meio da semana, a Prefeitura de Fortaleza decretou feriado municipal para todos os setores. De acordo com a Fifa, todos os ingressos para a partida entre Brasil e México foram vendidos com antecedência, com 16.614 compradores estrangeiros e 43.452 de outros estados do Brasil.

A torcida mexicana vem reforçada. Um transatlântico atracou em Fortaleza na madrugada da segunda-feira (16) com 3.600 torcedores mexicanos. De acordo com a Secretaria do Turismo do Ceará, outros 12 mil estão chegando a Fortaleza em voos fretados, domésticos ou ônibus interestaduais, gerando um fluxo de mais de 15 mil turistas do México, somente entre os dias 16 e 18 de junho.

Por que ver este jogo

Se o Brasil ganhar a partida, a classificação está praticamente garantida para as oitavas-de-final. Além disso, a torcida da Arena Castelão foi a pioneira a continuar o hino nacional à capela, emocionando os jogadores na Copa das Confederações. Este ano, o momento deve ter novidades. Pelas redes sociais, os jogadores David Luiz e Thiago Silva gravaram um vídeo para convocar a torcida para cantar o hino abraçada no jogo em Fortaleza. (veja aqui!)

Do G1

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TSE fixa 15 de setembro como data-limite para substituir candidato

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu, em sessão nesta segunda-feira (16), o dia 15 de setembro como data-limite para substituição de candidatos que concorrerão nas eleições de outubro. A mudança pode ser feita pelo partido ou coligação em caso de registro indeferido ou desistência.

Conforme as regras do TSE, a única exceção à regra é em caso de morte do candidato. Nessa situação, a substituição poderá ser feita até a véspera do pleito.

O tribunal já tinha definido em fevereiro que a mudança poderia ser feita até 20 dias antes da votação do dia 5 de outubro. A data de 15 de setembro foi fixada para evitar dúvidas sobre em qual dia exato representava os 20 dias antes da votação.

Até a eleição passada, os partidos podiam substituir os candidatos até 24 horas antes do pleito, independentemente do motivo.

Por causa disso, era possível que, na urna eleitoral, o candidato concorresse com os dados do político que renunciou ou morreu. A partir deste ano, isso não acontecerá mais, segundo o TSE.

Convenções

Na sessão desta segunda, o tribunal também discutiu um pedido feito pelo PDT para alterar o prazo máximo para realização de convenções partidárias, estipulado em 30 de junho pelo TSE.

A legenda queria que as convenções para definição dos candidatos fossem realizadas até julho, em razão da Copa do Mundo no Brasil.

Os ministros, porém, entenderam que a data não deve ser alterada. “A Copa do Mundo em nada atrapalhou o dia a dia dos brasileiros. Indefiro o pedido”, disse o presidente do TSE, Dias Toffoli, que foi acompanhado pelo colegiado.

Do G1

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Aécio é escolhido candidato do PSDB à Presidência com exaltação a FH e a Tancredo

Agência O Globo

Aécio Neves chegou à convenção do PSDB na companhia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de lideranças tucanasAécio Neves chegou à convenção do PSDB na companhia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de lideranças tucanas

Ao final de um ano de intensas articulações para vencer a resistência da ala tucana paulista à sua candidatura, o mineiro Aécio Neves foi oficializado ontem como o candidato a presidente da República na convenção nacional do partido por 99% dos 471 delegados — houve apenas um voto nulo e três brancos. Numa superprodução em São Paulo que misturou momentos mais emocionais, resgate do governo Fernando Henrique Cardoso e muitas críticas à gestão do PT e da presidente Dilma Rousseff, Aécio, o ex-governador José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, capricharam nos gestos para mostrar que, em nome da disputa e do projeto de derrotar o PT, as feridas antigas estão curadas entre “serristas“ e “aecistas“, tendo Fernando Henrique como avalista dessa união. Muito aplaudido e prestigiado, coube ao próprio Serra dizer que é hora de todos se unirem para arregaçar as mangas e enfrentar a batalha, que será dura.

Em um dos pronunciamentos mais aguardados, Fernando Henrique afirmou que o país está cansado de “empulhação” e fez um chamamento ao PSDB para que se aproxime do povo.

— As urnas clamam, querem mudança. Elas cansaram de empulhação, corrupção, mentira e distanciamento entre o governo e o povo. Nós temos que ouvir o povo, estar mais próximos do povo. Ganhar a confiança do povo. A caminhada do Aécio será essa — afirmou o tucano, que usou palavras fortes para se referir aos integrantes do PT, como “ladrões” e “farsantes”.

Não foi por acaso que Aécio chegou à festa tucana de mãos dadas com o ex-presidente. O senador está convencido de que não repetirá o erro de campanhas passadas do PSDB, que esconderam FH e a gestão dele na Presidência. Numa volta ao passado, Aécio recordou a trajetória política do avô Tancredo Neves e do ex-presidente Juscelino Kubitschek, para referir-se à própria candidatura como o “reencontro com a decência”:

— Se o presidente Juscelino permitiu 60 anos atrás o reencontro do Brasil com o desenvolvimento e a modernidade, coube a Tancredo, 30 anos depois, permitir que a gente se reencontrasse com a democracia e a liberdade. Outros 30 anos se passaram, e vamos conduzir o Brasil ao reencontro com a decência.

Aécio fala em ‘Ventania por mudanças’

Pouco antes, Aécio, ao se dizer confiante e preparado para fazer as mudanças de que o país precisa, afirmara acreditar que as urnas vão “varrer” o PT do governo federal.

— A cada dia que passa, em cada região por onde ando, percebo não só uma brisa, mas uma ventania por mudanças. Um tsunami que vai varrer do governo federal aqueles que lá não têm se mostrado dignos e capazes de atender às demandas da população brasileira — disse.

Aécio, Serra e Alckmin fizeram questão de explicitar e mostrar a afinação entre eles. Aécio elogiou as conquistas de Serra no Ministério da Saúde. O paulista, por sua vez, fez uma defesa clara em seu discurso da unidade partidária em torno da candidatura do senador.

— Nós não podemos declinar da responsabilidade de comparecer unidos para esta batalha, que, acreditem, não é contra ninguém, mas é a favor do país — afirmou Serra.

Quando o ex-governador terminou seu pronunciamento, Aécio se levantou e foi ao seu encontro para lhe dar um abraço e posar para fotos. Outro sinal de que Serra está integrado e terá papel importante na campanha é que Aécio participou, na véspera da convenção, de um jantar na casa do “serrista“ Andrea Matarazzo. Na reunião, traçaram a estratégia dos próximos passos da campanha e, na mesma noite, a foto do jantar foi postada por Aécio nas redes sociais.

No jantar, Serra deu sugestões e fez uma análise sobre a equação que diz ser fundamental para derrotar o governo petista e, considera, precisa ser explorada: a perda do poder aquisitivo da população com a volta da inflação. Presente ao jantar, o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que Serra estava bem à vontade. Ao final da convenção, ele afirmou que sua decisão sobre candidatura à Câmara ou ao Senado dependerá das alianças de Alckmin.

O próximo passo da campanha de Aécio é definir o seu vice, até o dia 30 de junho. Tudo indica que vencerá mesmo a dobradinha café com leite, Aécio e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Como principal articulador da candidatura de Aécio, Fernando Henrique deu a linha do discurso que deverá ser repetido à exaustão pela campanha tucana. Ele começou com um tema que já custou muito caro ao PSDB em eleições passadas: privatizações.

— O povo quer respeito e consideração. O povo cansou de comiseração. Quantas vezes ouvi que eu queria privatizar a Petrobras. Mentira. Eles sabem que é mentira. Nós queríamos transformar a Petrobras de uma repartição pública numa empresa dos brasileiros. O que eles fizeram? Nós queremos de novo que as estatais sejam em benefício do povo.

Depois, disse que Aécio é “um líder jovem” para sentir “de perto o pulsar das ruas e se dedicar de corpo e alma ao povo”.

Antecipando-se aos ataques do adversário, o candidato tucano dedicou parte do discurso a defender o legado do PSDB na área social. Na economia, o tema preferencial foi a ameaça de retorno da inflação.

— Quem foi contra o Plano Real é quem hoje permite a volta da inflação — disse.

Para representar os partidos aliados de Aécio na convenção, discursaram o deputado Paulo Pereira da Silva (SD) e o senador José Agripino Maia (DEM). Paulinho acusou o governo do PT de “roubar desde lá de cima até embaixo”. E afirmou que a presidente Dilma Rousseff teria sido vaiada durante a abertura da Copa em São Paulo, na última quinta-feira, por ter mentido em pronunciamento de TV exibido na véspera do jogo.

O senador José Agripino lembrou ter conhecido Aécio Neves quando ele ainda era secretário do avô Tancredo e disse que sentia na convenção “cheiro de vitória”:

— Aécio tem a coragem politica e cívica para fazer o que precisa ser feito. Se fez em Minas, vai fazer pelo Brasil.

Família esteve presente

Aécio levou para o ato de oficialização de sua candidatura a filha Gabriela Neves e a mãe, Inês Maria, filha de Tancredo. A mulher do tucano, Letícia Weber, está hospitalizada em clínica do Rio de Janeiro, onde deu à luz filhos gêmeos do senador, que nasceram prematuramente.

Ao lembrar da família, ainda no início de seu pronunciamento, Aécio se emocionou.

— Um beijo à distância, minha esposa e meus filhos, recém-nascidos, que se recuperam bem, graças a Deus, e haverão de crescer num país mais justo, mais solidário e mais generoso — disse Aécio, com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas mostrados pelo telão.

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Dilma diz que ‘perdoa’ xingamento para não guardar ‘veneno do ódio’

Presidenta Dilma RousseffPresidenta Dilma Rousseff

G1.COM

A presidente Dilma Rousseff afirmou na noite desta sexta-feira (13), durante Encontro Estadual do PT em Pernambuco, que “perdoa” os torcedores que a hostilizaram durante a partida de abertura de Copa do Mundo na quinta (12), em São Paulo.
Mais cedo, em evento no Distrito Federal, ela havia afirmado que não se deixaria “abater”. Na noite desta sexta, ela voltou a falar sobre o assunto e disse que é preciso perdoar para não guardar o “veneno do ódio” no coração.
“Eu já aguentei muita coisa, agressão física, tortura, e não mudei de lado. E nem saí querendo acabar com as pessoas que fizeram.

Não tive rechanchismo. Quem perdoa, ganha. E ‘perdoa’ não é esquecer, ‘perdoa’ não é discutir, ‘perdoa’ não é aceitar que se repita ou compactuar com isso. ‘Perdoa’ é não deixar que entre no seu coração o veneno do ódio. Esse veneno do ódio que nem eu e nem vocês podemos deixar entrar no coração”, afirmou a presidente.
Dilma falou depois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a acompanhou no evento.

Ele afirmou que vê risco de a campanha eleitoral deste ano se tornar violenta e pediu que Dilma não fique com raiva em função do episódio.

Em sua fala, a presidente disse concordar que o PT terá uma “campanha duríssima pela frente”.
“Acredito que talvez a mais dura que nós já enfrentamos, e olha que já enfrentamos campanhas duras. Isso vai exigir muito de cada um de nós. Eu sei que que está nas mãos de vocês essa campanha.

A nossa diferença é que temos essa militância. A cada derrota, eles se desesperam, o que leva a agredir, insultar e a mentir”, afirmou Dilma.

A presidente citou que os adversários sempre criticaram os principais programas e que, segundo ela, só trouxeram benefícios para a população, como o Bolsa Família, Mais Médicos e Minha Casa,Minha Vida. Ela destacou que “eles” também não acreditavam que o Brasil conseguiria sediar a Copa do Mundo.

“Eles combateram tudo o que nós fizemos […] Eu acho, mais uma vez, que eles subestimam a inteligência do povo brasileiro. Quem pensam que podem enganar? Como podem fazer melhor o que sempre combateram e tentaram inviabilizar? Prouni e Enem foram contra.

Mais médicos foram escrachadamente contra. O Bolsa Família, eles não foram só contra, chamaram de Bolsa Esmola. […] Vocês viram que eles disseram que não ia ter Copa. Nós vimos o clima de alegria, de torcida que nós fizemos no campo ontem [quinta] e que estamos fazendo há onze anos nesse país”, frisou Dilma.

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