O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta terça-feira que seria um “erro” do PT retirar o apoio do partido à candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para o comando da Casa Legislativa depois que o senador José Sarney (PMDB-AP) sinalizou que vai lançar o seu nome na disputa. Apesar de se mostrar contrário à possibilidade de o PMDB comandar a Câmara e o Senado, Chinaglia disse que a candidatura de Temer deveria ser prioridade para todos os peemedebistas –da Câmara e do Senado.

“A candidatura do senador José Sarney chama atenção porque quando do lançamento da candidatura do deputado Michel Temer aqui na Câmara, ela foi tratada por todos, pelo próprio PMDB, como algo prioritário. Se alguém deve estar preocupado com eventuais riscos da candidatura do Michel Temer, deveria começar pela própria bancada de senadores do PMDB”, afirmou.

Nos bastidores, deputados peemedebistas reconhecem que a candidatura de Sarney pode abalar a disputa de Temer porque muitos parlamentares são resistentes ao duplo comando do PMDB no Congresso. Como o senador tem força no Senado para se eleger presidente, Temer poderia acabar enfraquecido na disputa pelos candidatos Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Chinaglia disse, porém, que o PT vai manter o acordo de apoiar Temer na disputa mesmo com o ingresso de Sarney. “Eu fui artífice de um compromisso aqui na Câmara onde permitiu a minha eleição no início da Legislatura e, agora, a bancada do PT, mas não só apoiamos a candidatura do deputado Michel Temer respeitando todos os demais candidatos”, disse.

Acordo

O acordo entre o PT e o PMDB foi firmado em 2006, durante a eleição de Chinaglia para a presidência da Câmara. Na ocasião, os peemedebistas aceitaram apoiar o petista em troca da adesão do PT à candidatura do partido em 2009. Deputados petistas, no entanto, ameaçam romper o acordo se o PMDB do Senado insistir em lançar candidato próprio à sucessão do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

O PMDB, por sua vez, argumenta que tem o direito de indicar os dois candidatos por ser a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado –onde os parlamentares têm por hábito escolher o presidente do partido que reúne o maior número de senadores.

Em meio ao impasse, o PMDB promete manter a candidatura de Sarney. O partido já havia lançado Garibaldi para disputar a reeleição, mas o presidente do Senado sinalizou hoje que vai desistir de concorrer ao cargo depois que Sarney formalizar a sua candidatura.


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