Repórter Tempo/ Ribamar Corrêa

O deputado Max Barros (PMB) surpreendeu ontem seus pares ao anunciar que não será candidato ao quinto mandato, decisão por meio da qual se afastará da política partidária. O anúncio foi feito de maneira sóbria, em forma de balanço, na tribuna, e causou forte impacto no plenário da Assembleia Legislativa. Ao comunicar sua aposentadoria parlamentar, o engenheiro civil, professor e gestor público abre um amplo vazio no universo da política estadual, que perde um quadro com sólida formação democrática, com identidade ideológica como um militante de centro, longe, portanto, dos extremismos.

A Assembleia Legislativa não mais contará com um dos melhores quadros que abrigou neste início de século. Tanto que o seu anúncio foi lamentado por grande número de deputados, todos destacando exatamente o parlamentar consistente, bem informado, aguerrido, honesto e movido por um claro senso de equilíbrio. Não foi sem razão que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), declarou que, apesar de ser adversário, é seu admirador.

O deputado respeitado que se despediu ontem das guerras eleitorais, depois de quatro mandatos consecutivos, não nasceu político por estalo ou por surto de vaidade de um profissional liberal engajado. Concorreu para o ingresso a vivência numa família de políticos, entre eles ninguém menos que o célebre senador Alexandre Costa. Foi também estimulado ao exercício da política ao entrar na vida pública, engenheiro recém-formado, por convite feito pelo também engenheiro Anibal Pinheiro, para assumir a direção do DER-MA no Governo de Epitácio Cafeteira (1987-1990). Seu desempenho como gestor público o tornaria um dos quadros mais ativos e influentes dos quatro Governos de Roseana Sarney, que teria influência decisiva na sua entrada na política partidária e na complexa e envolvente ciranda da luta pelo voto popular.

Diferentemente da maioria dos técnicos que entraram na política, Max Barros conseguiu alimentar essa dualidade, tornando-se deputado brilhante e, ao mesmo tempo, gestor público que se notabilizou pelos longos períodos em que atuou no comando da Secretaria de Estado de Infraestrutura e na Gerência Metropolitana, deixando sua marca numa extensa relação de obras importantes, como os quatro viadutos que compõem o complexo viário de São Luís, a Via Expressa, dezenas de ligações rodoviárias, a revitalização da São Luís histórica e inúmeras outras obras civis importantes para a infraestrutura do Maranhão em diversos campos. O parlamentar, por sua vez, deixará um legado que justificará plenamente os quatro mandatos, como a regularização fundiária, assegurando propriedade da terra aos cidadãos maranhenses; preservação do patrimônio histórico, alocando recursos permanentes para conservação do nosso acervo urbanístico e arquitetônico; garantiu verbas constitucionais para abastecimento de água e tratamento de esgoto para população maranhense; taxação de grandes empresas multinacionais que causam impactos no Maranhão, de maneira a viabilizar recursos significativos para melhoria da população maranhense. Criou normas de proteção ao consumidor em atividades de lazer, cultura e entretenimento.

Nos períodos em que passou na Assembleia Legislativa nesses 16 anos de vida parlamentar, Max Barros construiu uma personalidade rica em diversos aspectos: tem sido um orador contundente, cujas falas são sempre ouvidas com atenção por adversários e aliados, exatamente por pronunciar discursos ricos de informação e senso crítico. É deputado que enfrenta seus adversários de peito aberto, com a dureza adequada a cada situação, com a diferença que jamais saiu do confronto das ideias, do choque das diferenças, para embrenhar-se no charco dos ataques pessoais. Neste mandato, tem sido um adversário duro e tenaz do Governo Flávio Dino, do qual diverge no campo das ações e também no campo ideológico. Mas em nenhum momento ultrapassou a fronteira da civilidade, preferindo respeitar seus adversários mostrando, com argumentos sólidos, seus erros e equívocos, Tanto que no seu discurso reafirmou a postura republicana segundo a qual adversário não é inimigo.

Max Barros se mostra um ente político diferenciado quando diz no seu discurso entender que chegou “o momento de buscar novos caminhos, novos desafios, que me instiguem e estimulem e também, de atender ao desejo daqueles que sempre me deram o suporte necessário, minha família”. Revela, finalmente, que o sonho do estudante por uma sociedade mais justa permanece vivo e que só pode ser alcançado pela via da política: “Pode parecer uma contradição. Mas, neste momento em que anuncio não mais participar, como candidato, nas próximas eleições, afirmo que a política é a forma mais eficiente e democrática de mudarmos uma realidade social”.

Irá para casa com a consciência tranquila de quem está fazendo a sua parte como um político ético, engajado e consciente do seu papel.

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