Portal Guará

Um casal de mulheres relatou, na última quarta-feira (12), ter sofrido uma situação de homofobia por um funcionário do Bar Brisa do Mar, localizado na Av. Litorânea, em São Luís. O desabafo foi feito nas redes sociais da jovem Ranalee Sampaio, que disse ter sido impedida de demonstrar afeto pela namorada por ser um “bar familiar”, segundo um empregado.

Foto Reprodução

Chegamos, fomos atendidas por um funcionário e estava tudo normal. Eu estava demonstrando carinho pela minha namorada, nós demos um selinho apenas, e até que, cinco minutos depois, o funcionário que nos atendeu chega dizendo que era um ´bar familiar´, e que se a gente não pudesse demonstrar nada…”, contou Ranalee ao Portal Guará.

A jovem diz que não sabe se o pedido do funcionário teria vindo da reclamação de algum cliente ou do próprio estabelecimento, mas notou olhares incomuns direcionados a elas. “Ele pediu para a gente parar caso quisesse ficar ali e, logo em seguida, pedi as contas e fui embora. (…) A gente, com desconforto e tensão horrível. Ele chegou falando ´não acho que é preconceito´, mas logo após tentou barrar nossa demonstração, sendo que foi só um selinho“, relatou a jovem. Após a denúncia repercutir nas redes sociais, o Bar Brisa do Mar trancou a conta no Instagram.

Procurado pela reportagem, o estabelecimento afirmou, por meio de um dos proprietários: “a palavra homofobia é muito forte e as pessoas estão acusando a empresa dessa forma, sem ao menos saber o que de fato aconteceu, (…) sendo que ela mesma te falou que ´foi apenas um selinho´ e eu te questionei, tu achas mesmo que foi apenas um selinho?”. Contudo, questionado sobre o que havia acontecido, o responsável pelo local se recusou a emitir um posicionamento oficial.

Homofobia

De acordo com o advogado da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB, Igor Farias, o comportamento do funcionário da empresa configura ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana, e a redução da discriminação contra a população LGBTQIA+ na sociedade deve se pautar na vedação de práticas discriminatórias e na punição jurídica para pessoas que cometem o preconceito. A comissão já entrou em contato com as vítimas e pretende enviar ofício ao bar pedindo esclarecimentos.

“Ir em um espaço público de mãos dadas, trocar beijos e abraços em um restaurante ou em um bar é bem comum e incentivado pela sociedade quando se trata de casais heterossexuais. Porém, quando o assunto se refere a casais homoafetivos, a realidade se mostra completamente diferente. (…) É extremamente comum nos depararmos com flagrantes tratamentos discriminatórios e LGBTfóbicos diante de demonstração de sentimentos entre casais LGBTs“, explicou o advogado.

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