Acusações que hipoteticamente derrubariam um presidente de país desenvolvido são incapazes de inflamar o parlamento brasileiro

O ministro Sergio Moro sai maior do que entrou na audiência da Comissão de Constituição e Justiça no Senado. O ex-juiz é bom de convicção, já sabíamos. Melhor ainda ao lidar com uma situação em que não há fatos e provas robustas. Data venia, os operadores da “Operação Vaza-Jato” vão ter de se esforçar muito se quiserem transformar herois em vilões.

As denúncias veiculadas até aqui pelo The Intercept nem de longe estão suficientes para melindrar aliados do governo, muito menos acuá-los. Aqui é Brasil. Ignorar nossa cultura política – ou subestimar a capacidade recém-adquirida de suportarmos tsumanis e crises semanais – talvez seja o equívoco reincidente do jornalista Gleen Greenwold.

Se o americano está de fato fazendo jornalismo a partir de informações e fontes legítimas, ele agora percebeu: acusações que hipoteticamente derrubariam um presidente de país desenvolvido são incapazes de inflamar o parlamento brasileiro e colocar em risco algum expoente da República.

E nesse ponto, o pífio desempenho dos senadores de oposição contribuiu de forma valiosa para a instalação do tédio durante o que poderia ser um confronto de versões e narrativas. Nem isso vimos.

Visível foi o despreparo dos adversários de Moro – cuja decisão de ir voluntariamente “prestar esclarecimentos” mostrou-se sábia e calculada, típica dos homens públicos talhados para fazer política, nova ou velha.

Os anos de tribunal mostraram-se úteis. Moro soube ouvir discursos inflamados e elogios vergonhosos com a impávida expressão de frieza que se espera de juízes. Ao final, pareceu até elegante.

Sergio Moro tomou posse como ministro em janeiro. Mas em 19 de junho de 2019 ocorreu seu batizado como político. Se não apareceram novos e contundentes vazamentos, The Intercept pode se consider padrinho da candidatura favorita à Presidência em 2022.

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