Assim que assumiu o cargo de governador do Maranhão, em 1987, Epitácio Cafeteira encontrou um estado falido, devendo o funcionalismo público, fornecedores e prestadores de serviços. Cafeteira chamou inicialmente para a mesa as folhas em atraso e descobriu que a pior situação era dos funcionários lotados no interior, assim como soube da existência de inúmeros defuntos na folha.

Para piorar o estado do funcionalismo, o BASA (Banco da Amazônia) conseguiu na Justiça a retenção de 78% dos recursos do FPE (Fundo de Participação dos Estados) por causa de dívidas contraídas na gestão de João Castelo. Cafeteira foi até ao então presidente da República, o maranhense, José Sarney e dele pediu apenas uma coisa: liberação de dinheiro para não deixar milhares de famílias passando necessidades, devendo comércios e com o nome sujo.

Após a situação equilibrada, com os defuntos voltando para as covas, a exclusão de gente que nunca fez sequer inscrição e estava na folha como concursado, Cafeteira regularizou o calendário de pagamento dentro do mês e com aumentos reais, progressões e vários outros benefícios.

Amado pelos servidores públicos estaduais e com um governo aprovado pela população, Epitácio Cafeteira rompeu com o grupo Sarney e decidiu sair candidato a senador, o mesmo cargo cobiçado por José Sarney. Como a eleição era só para uma vaga, Sarney não ousou se aventurar e perder para Cafeteira, mesmo com o Estado sendo governado por João Alberto, que era o vice e assumiu.

Então, o jeito foi mudar o título eleitoral para o Amapá, por onde Sarney se elegeu senador e Cafeteira ganhou com tranquilidade no Maranhão. Anos depois, ele reatou com o grupo Sarney e aceitou entrar para disputa  contra o Palácio dos Leões, governado por José Reinaldo Tavares. Cafeteira ganhou de João Castelo e passou mais oito anos no Senado Federal.

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