Centenas de mulheres e suas organizações sociais e de lutas ocuparão hoje o plenário e outras dependências da Assembleia Legislativa. Já devem ter sido recepcionadas com um robusto café da manhã, e o que as espera no lanche da tarde, será coberto de veneno. O agressor da própria mulher, deputado Cabo Campos, será salvo pelo corporativismo da Casa, pelos ombros amigos dos colegas homens e até de alguma mulheres deputadas.

A primeira obstrução já está quase pronta. Trata-se da apreciação pela Comissão de Ética do pedido da Procuradora da Mulher na Assembleia Legislativa, deputada Valéria Macedo, já protocolado junto a Mesa Diretora, do afastamento cautelar por 60 dias do Cabo Campos do mandato.

E já encontraram a saída. Dirão que não existe amparo legal no Regimento Interno do Legislativo para adotar a suspensão temporária. E irão deixar que as investigações sejam concluídas pela Delegacia da Mulher e, após apreciação do Ministério Público e decisão da Justiça, podem ou não levar o caso para a cassação do mandato.

Ora, o processo de investigação é lento, a apreciação do MP não será rápida e na Justiça para julgamento final vai durar muito. Afinal, trata-se de um deputado, um parlamentar da base do governo.

E mais: justificarão falta de tempo para reunir a Comissão de Ética porque estarão em plena campanha buscando reeleição. Aí Cabo Campos passará batido e só o voto do eleitor consciente é que julgará o destino dele.

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