Daniel Matos

Locação escandalosa de uma casa pertencente a um filiado ao PCdoB do governador Flávio Dino para abrigar uma unidade de ressocialização da Funac foi denunciada em primeira mão neste espaço e gerou ampla repercussão local e nacional

A Justiça julgou improcedente a ação ajuizada pelo engenheiro Jean Carlos Oliveira com o intuito de obter indenização por danos morais do autor deste blog por causa da série de matérias em que foi denunciado o escândalo que ficou conhecido como “aluguel camarada”, que teve ampla repercussão local e nacional. Filiado ao PCdoB do governador Flávio Dino, Jean Carlos é o dono do imóvel situado no bairro Aurora, alugado pelo Estado por R$ 12 mil mensais para ser transformado em unidade de ressocialização da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), rejeitada pela comunidade por representar ameaça à segurança pública.

Em sua decisão, o juiz Alessandro Bandeira Figueiredo, responsável pelo 2º Juizado Especial Cível, localizado no campus da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), registrou, em resumo, que não há “qualquer elemento de prova de excesso cometido pelo demandado, não se vislumbrando, no caso, ofensa pessoal dirigida ao promovente, nem divulgação de notícias criadas pelo réu”. Convicto de que não houve ilegalidade na divulgação dos fatos, o magistrado concluiu: “Temos que a presente demanda não merece prosperar”.

Além de julgar a demanda improcedente, o juiz determinou que, após o trânsito em julgado, os autos sejam arquivados.

Retrospecto

O escândalo do “aluguel camarada” da Aurora foi denunciado em primeira mão por este blog em 4 de janeiro de 2017 e logo ganhou repercussão, inclusive na imprensa nacional. Na época, foram divulgadas planilhas disponíveis no Portal da Transparência do Governo do Estado que mostravam o valor do aluguel, cujo contrato foi firmado com dispensa de licitação. Os documentos oficiais comprovaram que o locador vinha recebendo as mensalidades referentes à locação do imóvel desde o ato da assinatura, em agosto de 2016, e que, até então, o Estado havia liberado R$ 170 mil para pagamento ao comunista, um forte indício de favorecimento.

O blog publicou, também, documento que comprovou a filiação de Jean Carlos Oliveira ao PCdoB de Flávio Dino, datada de 1º de março de 2013. Posteriormente, descobriu-se que ele ocupava o cargo de Coordenador de Suporte e Rede na Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do Porto do Itaqui.

Em meio ao escândalo, a permanência de Jean Carlos nos quadros da Emap ficou insustentável e Flávio Dino de viu obrigado a exonerá-lo, medida que tomou semanas após eclodir a denúncia.

Diante de tantos fatos inquestionáveis, só restou ao magistrado julgar improcedente a ação ajuizada contra o blog, fazendo prevalecer a justiça.

Reconhecida a legitimidade das informações noticiadas, está mais do claro que o processo que agora chega ao desfecho – pelo menos na primeira instância – não passou de mais uma tentativa covarde e fracassada de intimidação.

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