Considerada como peça chave na investigação realizada pela CPI da Assembleia que apura supostos crimes cometidos pelo empresário Alessandro Martins, a gerente comercial da concessionária Euromar, Débora Mendes, deixou São Luís para não prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Segundo informações de funcionários da concessionária fornecidas para membros da Polícia Legislativa, Débora fugiu da Euromar tão logo soube que os membros da Comissão deliberaram pela sua condução de forma coercitiva (acompanhada de força policial). O fato aconteceu na tarde desta terça-feira (2) quando seria realizada mais uma audiência pública da CPI.

“O comportamento da senhora Débora mostra que ela está tentando dificultar nosso trabalho. E isso não iremos permitir. Como já decidimos pela sua condução coercitiva, a qualquer momento ela será intimada e, acompanhada de policiais, terá que comparecer a esta Comissão para prestar os esclarecimentos necessários”, afirmou o presidente da CPI, deputado Alberto Franco (PSDB).

Franco explicou que na semana passada a Comissão, pela segunda vez consecutiva, deliberou pela convocação de Débora Mendes. “E pela segunda vez consecutiva ela se escondeu para não assinar o termo de intimação. Por este motivo decidimos convocá-la de forma coercitiva”, explicou.

Na próxima terça-feira (9) os membros da Comissão irão colher os depoimentos de Anderson de Paula Gomes e Ronaldo Teles, ambos executivos da montadora Volks do Brasil.

Alessandro Martins também foi reconvocado para prestar novo depoimento. “Como é a segunda vez que estamos reconvocando o senhor Alessandro, caso ele não compareça na próxima terça-feira. iremos deliberar pela sua condução coercitiva”, adiantou o deputado Rubens Pereira Júnior (PRTB).

“O senhor Alessandro está beneficiado por um salvo conduto que lhe garante o direito de permanecer calado durante os depoimentos e de não participar de acareações. Este dispositivo não lhe dá o direito de não comparecer a esta Comissão”, completou Júnior.
Em recente depoimento prestado a CPI da Assembleia, a promotora de Justiça Themis Maria Pacheco de Carvalho disse não ter dúvidas de que Alessandro Martins contava com a conivência da montadora Volks do Brasil para operar no Maranhão um esquema fraudulento de compra e venda de veículos.

ENTENDA O CASO

A existência no Maranhão de um esquema fraudulento de compra e venda de veículos operado pela concessionária Euromar foi denunciada pelo Ministério Público Estadual, através da promotora Lítia Cavalcanti (Defesa do Consumidor).

O esquema funcionava da seguinte forma: a Euromar, utilizando dados das empresas Auto 1000 Locadora, Alcântara Locadora de Veículos Ltda., Locadora São Luís Ltda., Nova Aliança Serviços de Locação Ltda., Crisbel Locadora de Veículos e Turismo e Serviços Ltda. e Love Locadora, comprava veículos da marca Volkswagen com descontos de até 30%. A nota fiscal do veículo era emitida em nome da locadora.

Para vender o automóvel ao cliente – visto que, carros adquiridos por locadoras só podem ser comercializados após o período de um ano – a concessionária fraudava notas fiscais colocando-as em seu nome. Alessandro Martins, segundo investigação do Ministério Público, contava, ainda, com o apoio de funcionários do Detran que modificavam os dados cadastrais do veículo para que o mesmo pudesse ser emplacado.

Com informações da AL

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