Choro e grupos de WhatsApp: os bastidores das demissões na Globo

Veja

No final da tarde de quarta, 6, quando atores e equipe começariam a gravar as cenas noturnas da novela Bom Sucesso, chegaram informações desencontradas de cortes nos corredores da Rede Globo. Naquele primeiro momento, não havia precisão de nomes nem sinais de áreas mais afetadas. Mas instalou-se clima de pânico e especulações. A atriz Ingrid Guimarães chorou pelos colegas.

Em qualquer empresa, cortes drásticos causam tristeza e medo. Na Globo ocorreu a mesma comoção, mas com uma diferença: os funcionários não podem dizer terem sido pegos de surpresa. Há meses está sendo desenhado um novo organograma de equipes e funções. Ontem, foram 150 cortes. Dentro do canal, especula-se que o número pode mais que dobrar nos próximos dias. Nesta quinta, 7, e sexta, 8, estão previstas reuniões entre a alta cúpula para falar do futuro. Uma lista chegou a circular em grupos de WhatsApp de atores, figurinistas e produtores, com os supostos nomes de quem teria sido cortado. Diretores ficaram possessos com a boataria.

Como forma de cortar custos, a Globo elaborou nos últimos meses uma estratégia de mudança no modelo de remuneração de parte de seus funcionários, passando de PJ para CLT. Nem todo mundo ficou satisfeito. Aqueles que topam migrar para PJ, ao renovar contratos, descobrem que o canal quer cortes de mais de 50% dos ganhos.  A chiadeira foi geral. Nem todo mundo aceita, caso de Otaviano Costa.

Com queda do mercado publicitário, a Globo tem enxugado sua folha de pagamento para investir na plataforma que considera ser o futuro: a Globo Play. O valor do anúncio de 30 segundos, assim como os merchans de programas como Mais Você e todas as faixas de novelas, caíram drasticamente nos últimos anos. Manter estruturas de custos pesadas, portanto, ficou fora de cogitação. Em consequência disso, atores, diretores e figurinistas de altíssimo quilate passarem a receber por obra, sem participação em lucros como ocorria no passado recente.

Há otimismo em relação à Globo Play, que tem visto sua base de assinantes crescer. Concorrentes como a Netflix oferecem conteúdo de séries, filmes e documentários. A plataforma da Globo, além disso, disponibiliza noticiário, esporte e novelas — este último, um produto com bastante apelo para público brasileiro. Mas a concorrência com Netflix e outras gigantes globais do serviço de streaming representa um desafio enorme.

Em meio às demissões recentes, tem circulado na Globo nomes de autores de novelas e grandes diretores entre os próximos profissionais que estariam em novas listas de cortes, além de dois atores com décadas de casa. VEJA apurou com pessoas graduadas dentro da Globo que essa possibilidade não está descartadas, mas a assessoria do canal é categórica: não passa de especulação. Ninguém de elenco e direção estaria na fila da guilhotina.

O clima tenso no Projac causado pelos cortes atuais e possíveis novas demissões em um futuro próximo ocorre em meio a críticas pesadas de Jair Bolsonaro contra a Globo. Os ataques do presidente aumentaram de volume depois da divulgação no Jornal Nacional de uma reportagem vinculando o nome de Bolsonaro às investigações do assassinato da vereadora Marielle, com base no depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra. Nos últimos dias, anunciantes como a Havan divulgaram que não investiriam mais sua verba publicitária na emissora alegando divergência com a linha editorial da Globo.

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Fortes rumores de demissão em massa de comissionados e terceirizados no estado

O fantasma da demissão em massa de servidores públicos comissionados e de funcionários de empresas terceirizadas que trabalham para o Governo do Estado do Maranhão começa a assombrar muitos pais de famílias.

As futuras demissões irão causar filas enormes para a procura de empregos em todo o Maranhão

O vice-presidente do Sindicato dos Vigilantes do Maranhão procurou ontem os deputados para falar do receio da provável medida governamental. Os vigilantes das escolas públicas seriam substituídos por porteiros, como forma do governo economizar nos gastos visto que um vigilante custa três vezes mais que um simples porteiro.

Porém, o porteiro não recebeu nenhum treinamento para lidar com violência e muito menos possui certificado expedido pela Polícia Federal para exercer a função de vigilante. As informações oficiais apontam que cerca de 500 já foram pra rua e, segundo o sindicato, mais 1 mil estariam aguardando a demissão.

Como é de conhecimento geral, o governador Flávio Dino, ao contrário de enxugar a máquina assim que assumiu o primeiro mandato em 2014, aumentou o número de secretarias e órgãos e inchou os quadros com seus pessoal de militância política. Agora, com a crise, já cogita passar a tesoura em boa parte.

Não se sabe ao certo o número de cargos em comissão que irão desaparecer e nem o volume de servidores sem concurso que irão ficar desempregados, mas o governo quando instado sobre a questão oferece o silêncio como resposta.

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