Luís Pablo 

O monitoramento de violações à liberdade de imprensa, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), registrou um aumento de alertas no primeiro trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020.

De janeiro a março deste ano foram identificados 73 ataques a meios de comunicação, jornalistas, comunicadores e imprensa de modo geral contra 53 no primeiro trimestre do ano passado.

O crescimento de 38% reforça a escalada da violência contra comunicadores no país, fato já apontado em outros monitoramentos de organizações da sociedade civil. A previsão é de que esses números sejam superados mais uma vez em 2021.

Em março, completou um ano da chegada da pandemia ao Brasil, período marcado por ataques a profissionais de imprensa no exercício de sua função. Além do ambiente de hostilidade enfrentado por jornalistas em todo país, o risco sanitário foi um desafio a mais enfrentado por esses profissionais que desempenham atividades essenciais no combate à pandemia.

O monitoramento da Abraji lista agressões e ataques, restrições de acesso à informação, processos judiciais, uso abusivo do poder estatal e restrições na internet.

Os discursos estigmatizantes – em que autoridades públicas descredibilizam a imprensa publicamente – seguem como o indicador mais comum nos ataques à imprensa no país.

O acompanhamento do ambiente hostil contra comunicadores e jornalistas é realizado em parceria com a rede Voces del Sur, que desenvolveu uma metodologia regional para acompanhar as violações à liberdade de expressão e de imprensa em 13 países da América Latina e do Caribe, segundo os parâmetros da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

O segundo trimestre de 2021 começou com mais registros de alertas. Em Roraima, a Polícia Civil investiga uma ameaça de morte a Diego Santos, apresentador do programa Verdade no Ar, da TV Norte Boa Vista, afiliada do SBT no estado. Em 01.abr.2021, o jornalista se surpreendeu ao abrir a caixa de correio de sua casa e encontrar um bilhete e duas balas de calibre 380.

O apresentador acredita que a ameaça tenha sido motivada por seu trabalho no programa Verdade no Ar, que denuncia irregularidades do poder público e de facções criminosas em Roraima. A polícia segue investigando o caso.

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