*Renato Dionísio

A prestigiosa coluna – Diário do Poder- de autoria do não menos prestigiado articulista, Cláudio Humberto, que circula nos mais afamados veículos de comunicação deste país, estampa neste dia 5/2 com o título que dá origem a este comentário, rasgados elogios a nossa “contraditória” petroleira e maior empresa em terras brasileiras, por ser de capital aberto, este comentarista deixa de nomeá-la como empresa brasileira.

Bem no estilo ufanista dos anos de chumbo da ditadura, informa que batemos nosso próprio recorde na produção de petróleo com 2,94 milhões de barris por dia, fato que nos coloca a frente dos Emirados Árabes que produz tão somente 2,78 milhões. Este gigantesco feito nos coloca na terceira posição dentre os produtores do planeta. Restando-nos ultrapassar apenas a Arábia Saudita e o Iraque para chegarmos ao topo.

Não desejo discutir a veracidade da informação, não tenho meios, menos ainda, método para tal checagem, quero entretanto, discorrer sobre os desdobramentos e sentimentos que afirmativa deste quilate pode produzir. Silencia intencionalmente ou não, se produzidos em terra ou em mar aberto, isto, é bom que saibamos, faz uma diferença enorme na composição do preço. Nada informa se a exploradora, entenda-se meios, é própria alugada ou de terceiros. Deixa de informar em que estado ou bloco exploratório se deu tamanha façanha.

Ora, caros leitores, sejamos razoáveis, ao contrário de batermos palmas, como parece ser o objetivo desejado pelo autor, temos é que questionar alguns pontos: se já somos o terceiro produtor mundial, qual a nossa posição no refino deste insumo? Quanto desta produção se destina ao mercado interno e quanto vai para exportação? Quais e quantas refinarias estão funcionando em nosso País para atender tamanha demanda? Se exportadores pagam o mesmo valor que os nativos? Somos autossuficientes? Se somos por que anexar nossa política de preços nas bolsas?

Feitos estes questionamentos, com certeza você os aumentará, não posso deixar de patentear meu mais profundo desalento ao ver que não posso sentar-me em qualquer roda de conversa que logo se apresenta o preço deste insumo. Que estou, mais que farto, de ouvir dizer que este produto é um vilão na composição dos preços para o consumidor final. Em conhecer a tentativa de greve nacional dos caminhoneiros, que reclamavam do preço do óleo diesel cobrado na bomba, fracassada pela domesticação dos dirigentes pelo Governo Federal.

Para ficar por aqui. Desejo fazer umas perguntas que o momento de mim exige: a quem o articulista, mesmo não citando, considera ser o grande beneficiário desta trombeteada vitória? Seria o Governo Bolsonaro e todos os brasileiros ou apenas um dos lados da equação? Existiriam outros que sob outras bandeiras auferem lucros? E finalmente, em que e, a partir de quando, nós, os pagadores de impostos, começaremos sentir o gosto desta epopeia?

Com carinho, peço para finalizar dizendo que sinto a diminuição do meu estômago, me acomete um misto de náusea e raiva, explico: como pode o governo divulgar este fato enquanto pagamos, entre todos os povos, produtores ou não de petróleo, os maiores valores para utilização de combustíveis, hoje vitais para o mundo. Não posso crer que a insensibilidade e a covardia, de quem tem poder de mando e, manipulando esta política covarde, esteja solapando o direito de tantos, a um pedaço de pão e um copo de leite na mesa, toda manhã; isto seria demais.

Renato Dionísio 

Poeta, compositor e produtor cultural

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