A cada ano mais ladainha, as poesias melosas, um falso amor e o desprezo de quem pode ajudar na transformação de nossa São Luís para que possamos ter motivos  e comemorar com orgulho mais um ano de fundação da cidade.

Vejo daqui do 12º andar um belo por do sol caindo aqui na praia. Mas não tenho a menor intenção de cair nas águas sujas, fedorentas e poluídas da ilha. E ainda tem uns que batem no peito pra dizer que temos as praias mais belas do Brasil.

Entra ano e sai ano, aniversário de fundação que vai e volta e os problemas das praias da ilha nunca foram resolvidos, apesar dos recursos destinados. A Praia do Calhau agora tem até uma tal língua negra, carregada de fezes e desemboca nas águas.

São Luís é a capital do Brasil com o menor percentual de investimentos em tratamento de esgotamento sanitário, embora uma montanha de recursos tenha aportado aqui e triturada pelos ratos.

A Ilha do Amor chora lágrimas de sangue vendo seus habitantes carregando latas de água na cabeça, crianças que não tomam água saudável. Bairros inteiros com uma ou duas semanas sem a presença do líquido precioso nas torneiras.

Escolas públicas deterioradas, com equipamentos velhos e acabados e professores com parcos salários. Em muitas escolas públicas existe carência da mão de obra dos mestres, merenda escolar de baixa qualidade.

Sozinho aqui no 12º andar não sei se desço e vou passear para não mais voltar ou se voltar, sem meus objetos, dinheiro e carro. Não temos segurança. Saudades dos tempos em que brincávamos nas ruas enquanto nossos pais e avós conversavam nas portas. Doido é quem tenta a tal aventura. Aqui matam cinco em um dia e deixam mais dez para amanhã.

Somos a Cidade Patrimônio da Humanidade. Viva! Lamentável sustentar esse título com nosso Centro Histórico caindo aos pedaços, casarões ruindo e becos servindo de motéis calangos e banheiros públicos.

São mais de 200 mil jovens sem destino, sem emprego, sugados pela marginalidade por falta de opção. E quem pode transformar essa realidade aparece sempre com um bom discurso que nunca sai do papel. As rotatórias estão cheias dos filhos da precisão.

Não estamos querendo que São Luís seja transformada da noite pro dia em um paraíso, mas buscando uma cidade com o mínimo de decência pra sua gente. E olha que temos 409 anos e convivemos com os mesmos problemas.

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